O lado de cá do balcão, do teclado, da produção e da linha de montagem.
Uma conexão invisível une milhões de crachás logo nas primeiras horas do dia,é a sensação coletiva de que o despertador não pede licença, ele corta o pedaço do sono que nunca parece o suficiente. Conhecemos o roteiro, o corpo pede só mais 15 minutos mas a mente faz o cálculo rápido do trajeto, do ônibus, do tempo e do trânsito até o trabalho e então a cena se repete, pulamos da cama para mais um dia real na vida do proletariado.Há quem diga que enfrentar esse cenário, cansado, enfadigado e desgastado, todos os dias é vestir a camisa, o CLT SOS chama de sobrevivência!
Garçom CLT, ou por diária, sem dúvida uma das profissões mais desgastantes e desvalorizadas de todo o universo do modelo de trabalho CLT brasileiro.
Desgastante pelos horários tão absurdos, beiram ao ridículo uma carga horária de 11:00 do sábado até o horário do fecha até às 11, 12 ou 01:00 da manhã, ah, no outro dia é domingo, então temos o tão importante almoço de domingo, então o garçom já está fechando a casa/restaurante à 1 da manhã, mas saído de lá às 2 por ter que limpar e deixar todo o material de trabalho preparado para o dia seguinte, saiu de lá às 01:40 ou 02, mas o restaurante é na área central da capital e ele mora na região metropolitana, então chegará em casa somente às 2 da manhã para estar lá no domingo às 10 para abrir a casa/restaurante novamente.
E o pior ainda está por vir, que é a enorme discrepância entre o ganho real de um garçom ao final daquele final de semana e os preços praticados pelos restaurantes pelos seus pratos chiques e tão bem gourmetizados, dependendo da classe ou público-alvo ao qual o restaurante serve, apenas um prato dentre dezenas que o garçom serviu à mesa para toda sua diária.
Auxiliar de cozinha, quem criou, determinou as regras e o horário dessa profissão?
Há uma discussão interna entre os trabalhadores dessa área sobre se o que é pior são os horários dos restaurantes, e sua tão desgastante jornada dupla aos finais de semana, ou a atmosfera, clima, pressão que são vividos dentro do ambiente de trabalho dentro de uma cozinha. O cozinheiro ou aux são quase sempre um dos primeiros a chegar em uma manhã de sábado para trabalhar e justamente um dos últimos, se não o último a sair.
Quando um prato ou todo alacarte de uma mesa é despachado na boqueta da cozinha para levar à mesa em um almoço no domingo, a parte dessa função já havia começado às 11 da noite, ou meia-noite quando o cozinheiro/aux fazia toda a lista de compras para o dia seguinte, esse mesmo trabalhador chegando em casa por volta das 2 ou 3 da manhã já está novamente às 08 ou às 9 da manhã, (enquanto a maioria dos clientes que vão almoçar no restaurante naquele domingo nem acordaram ainda) e cozinheiro/aux já em plena atividade com todas as bocas acesas para que, ao meio-dia, quando receber a primeira comanda, esteja tudo preparado para a montagem do prato. E novamente todo aquele ciclo se repete: calor, correria, pressão e gritaria, como se correr o fizesse chegar mais rápido a algum lugar ou destino ou resultado, o que seria improvável ou impraticável, pois quase todos os clientes pedem na mesma janela de tempo e horário.
Então se encerra o horário de funcionamento do restaurante, mas foi só a primeira etapa ou fase de trabalho do cozinheiro/aux, sim, ainda tem que limpar toda a cozinha! E é claro, a tão famigerada lista de compras.
E é assim mais um dia ou final de semana comum na vida da maioria esmagadora de quem exerce essa profissão. Certamente quem inventou essas funções, regras e horários não os exerce ou os pratica.
Auxiliar de cozinha, quem criou, determinou as regras e o horário dessa profissão?
Há uma discussão interna entre os trabalhadores dessa área sobre se o que é pior são os horários dos restaurantes, e sua tão desgastante jornada dupla aos finais de semana, ou a atmosfera, clima, pressão que são vividos dentro do ambiente de trabalho dentro de uma cozinha. O cozinheiro ou aux são quase sempre um dos primeiros a chegar em uma manhã de sábado para trabalhar e justamente um dos últimos, se não o último a sair.
Quando um prato ou todo alacarte de uma mesa é despachado na boqueta da cozinha para levar à mesa em um almoço no domingo, a parte dessa função já havia começado às 11 da noite, ou meia-noite quando o cozinheiro/aux fazia toda a lista de compras para o dia seguinte, esse mesmo trabalhador chegando em casa por volta das 2 ou 3 da manhã já está novamente às 08 ou às 9 da manhã, (enquanto a maioria dos clientes que vão almoçar no restaurante naquele domingo nem acordaram ainda) e cozinheiro/aux já em plena atividade com todas as bocas acesas para que, ao meio-dia, quando receber a primeira comanda, esteja tudo preparado para a montagem do prato. E novamente todo aquele ciclo se repete: calor, correria, pressão e gritaria, como se correr o fizesse chegar mais rápido a algum lugar ou destino ou resultado, o que seria improvável ou impraticável, pois quase todos os clientes pedem na mesma janela de tempo e horário.
Então se encerra o horário de funcionamento do restaurante, mas foi só a primeira etapa ou fase de trabalho do cozinheiro/aux, sim, ainda tem que limpar toda a cozinha! E é claro, a tão famigerada lista de compras.
E é assim mais um dia ou final de semana comum na vida da maioria esmagadora de quem exerce essa profissão. Certamente quem inventou essas funções, regras e horários não os exerce ou os pratica.
10 da manhã de domingo, o copeiro chega na copa do restaurante, o mesmo copeiro que só depois de ter limpado e organizado tudo saiu só às 2 da manhã dessa mesma copa.
Então a primeira coisa que ele ouve são os barulhos dos freezers, verticais e horizontais, logo depois sente o cheiro de frutas cítricas limão/laranja/abacaxi cortados e processados em grandes quantidades tanto para suco quanto para drinks, e como quase sempre o espaço das copas de restaurantes é absurdamente pequeno, por mais que se limpe, esse odor não sai do ambiente, esse mesmo cheiro se mistura ao cheiro de restos de cerveja e chope quente que voltaram aos montes das mesas.
Com ressaca de sono evidente no rosto, seu “expediente de almoço de domingo” começa, ele desce ou sobe ao vestiário, sempre com (aquele cheirinho desconfortável) troca de roupa e torce para não ter esquecido de anotar nem um item da lista de compras da copa ontem, pois o gerente ou maître da casa/restaurante também está com sono e sem paciência, a chamada de atenção é certa logo nos primeiros minutos do “domingo de trabalho”.
Começa a saga, quantidades absurdas de frutas são cortadas, diferentes copos para diferentes bebidas são posicionados, garrafas viradas e realocadas nos freezers e barris de chope trocados.
Todo esse trabalho tem um nome muito bonito: “MISE EN PLACE”. Outros mais realistas o chamam de preparação.
E é toda essa preparação antes do horário de atendimento do restaurante, e de todo o trabalho, correria, “atolo”, pressão de fazer e preparar muitos pedidos ao mesmo tempo durante o horário de atendimento no desarcebado movimento do almoço de domingo que parece que não vai mais acabar, e quando finalmente acaba o expediente de atendimento é aí que vem a pior parte:
montanhas de garrafas, tulipas e copos sujos não param mais de chegar, depois de toda essa atividade que se iniciou às 10 da manhã, alocar todas as garrafas, lavar todos os copos, limpar e reorganizar tudo novamente até às 06 ou 07 da noite, faz dessa profissão de copeiro ou barman uma das mais ingratas e desgastantes do setor hoteleiro/restaurantes.